A palavra samâdhi é composta dos prefixos sam (equivalente ao latim syn) e â seguida pela raiz verbal dhâ (pôr, colocar) na forma modificada dhi. O sentido literal do termo é “colocar junto, reunir”.

O Yoga é a tecnologia do êxtase, da autotranscendência. União do eu individual (jiva-âtman) com o supremo Si Mesmo (parama-âtman). Compatível com descrições Vedanta, ramo dominante da filosofia hindu. Essa escola considera que o ser é uno e então não há “re união”. É uma tradição não dualista do Vedanta.

O sistema do Yoga Clássico é dualista na medida em que distingue entre o Si Mesmo transcendental e a Natureza multiforme . O Yoga Clássico é do século II d.C. Conhecido como o Yoga Sutra de Patanjali define Yoga como “restrição dos turbilhões da consciência” (citta-vritti-nirodha). A orientação é chegar e conservar-se em um estado de equilíbrio e transparência.

“Patanjali explica que, depois de efetuada essa parada psico-mental, fulgura o brilho da Consciência testemunha  ou “Aquele que vê” (drashtri), é a Atenção pura (cit) que reside eternamente para além dos sentidos e da mente, captando ininterruptamente todos o conteúdo da consciência.”

“A libertação é um modo de ser ou estar no mundo sem pertencer a ele”.

 

  1. A palavra Yoga etimologicamente derivada da raiz verbal yuj que significa conjugar, juntar, jungir ou unir.

No sentido técnico, Yoga refere se ao conjunto de valores, atitudes, preceitos e técnicas espirituais que se desenvolveram na Índia no decurso de pelo menos cinco milênios e que pode ser visto como o fundamento da antiga civilização indiana.  Yoga, é portanto, o nome genérico dos vários caminhos indianos de auto transcendência extática ou de transmutação metódica da consciência até que esta se liberte da personalidade egóica. É a tecnologia psicoespiritual específica da grande civilização da Índia. A palavra yoga também foi aplicada às tradições que se inspiraram direta ou indiretamente em fontes indianas como: Yoga tibetano (Budismo Vajrayâna), Yoga japonês (Zen) e o Yoga chinês (Ch’an).

 

  1. Graus de Transcendência do Ego – o praticante – Yogin (homen) e Yoginí (mulher)

 Os estudiosos afirmam que o amadurecimento espiritual do yogin ocorre segundo uma série de fases distintas. O erudito e praticante de Yoga Vidyiâranya, da época medieval, mencionava duas classes de yogins: os que transcenderam a si mesmos e os que não transcenderam – simples assim. Vyâsa explica os quatro graus de realização espiritual:

  • O primeiro é o praticante para quem a luz está apenas começando a brilhar.
  • O segundo é dotado de sabedoria transcendente que leva em si a verdade.
  • O terceiro é aquele que subjugou os elementos e os órgãos dos sentidos e que desenvolveu os meios necessários para assegurar-se da posse de tudo o que já foi cultivado e do que ainda o será…
  • O quarto, que já foi além do que pode ser cultivado, tem como único objetivo a resolução da mente primordial da Natureza, onde o Si Mesmo brilha em sua pureza original.

O termo “yoguista” é de cunhagem moderna e denota o entusiasta ocidental que se interessa sobretudo pelo aspecto físico do Yoga – especialmente pelas posturas (âsana), e não pelo Yoga como disciplina espiritual de realização do Si Mesmo.

 

  1. Guru – uma luz na escuridão. Gu = escuridão, ru = luz ou que dissipa a escuridão (dissipa as trevas espirituais do discípulo)

 Segundo Mircea Eliade nos seus profundos estudos sobre Yoga diz: “O que caracteriza o Yoga não é somente o seu lado prático, mas também a sua estrutura iniciática”. Pressupõe a orientação de um iniciado, de um mestre dotado de experiência imediata dos fenômenos e realizações do caminho yogue. Assim, o verdadeiro Yoga nunca é algo que a pessoa aprende sozinha.

No antigo Taittirîya-Upanishad (3.3…3) “O guru é a primeira letra do alfabeto. O discípulo é a última letra. O conhecimento é o ponto de encontro. A instrução é o elo.”

 

  1. O discípulo – aprendizagem para além do ego.

Quando um aspirante se apresentava a um mestre de Yoga, era cuidadosamente examinado pelo mestre, que buscava ver nele os sinais de maturidade emocional e espiritual.

 

Os oito membros (anga) do caminho da auto-transcendência. A espiritualidade prática de Patanjali.

  1. Disciplina moral (yama)
  2. Autocontrole (niyama)
  3. Postura (âsana)
  4. Controle da respiração (prânâyâma)
  5. Recolhimento dos sentidos (pratyâhâra)
  6. Concentração (dhâranâ)
  7. Meditação (dhyâna)
  8. Êxtase (samâdhi)

 

YAMA – Disciplina moral

O fundamento do Yoga é uma ética universal. Tem a finalidade de conter o instinto de sobrevivência e canalizá-lo para servir a um propósito superior, regulando as interações sociais dos yogins. A disciplina moral envolve:

  1. Não violência em todos seus aspectos (ahimsâ)
  2. Veracidade. Compromisso com a verdade. (satya)
  3. Não roubar em todos os sentidos: objetos, tempo dos outros (asteya)
  4. Castidade ou respeito ao sexo (brahmacarya).
  5. Não cobiçar (aparigraha). Desapego.

 

NYAMA = Autocontrole

Diz respeito à vida interior dos yogins.  Servem para harmonizar o relacionamento da pessoa om a vida em geral e com a realidade transcendente. As práticas são:

  1. Pureza (shauca). Há dois aspectos: a limpeza externa ou higiene física, banhos e alimentação adequada e a a purificação como metáfora de pureza mental fruto de instrumentos como concentração e meditação.  Diz-se que a mente é impura quando foca nos desejos e pura quando liberta se dos desejos.
  2. Contentamento (santosha). É uma expressão de renúncia ao consumismo e encarar o sucesso e fracasso, o prazer e dor, com a mesma equanimidade inabalável.
  3. Ascese ou austeridade (tapas). Tapas significa clarão ou calor e denota a grande energia psicossomática que se produz através da ascese. Abrange práticas de ficar em pé ou sentado imóvel por longo tempo; suportar frio ou calor, suportar a fome ou sede, o silêncio formal e o jejum. Há o ascese do corpo, da palavra e mental. Quando praticada com fé suprema tem natureza sattva. Quando superficial e instável tem natureza rajas. Quando feita por força de concepções tolas tem natureza de tamas.
  4. Estudo (svâdhyâya). O objetivo é deixar se absorver pela sabedoria dos antigos. É a consideração meditativa das verdades reveladas pelos sábios.
  5. Devoção ao Senhor Si Mesmo transcendente. Esse “Senhor” representa mais que um conceito.  A devoção ao Senhor é a abertura para o Ser transcendente que leva à iluminação, uma força objetiva, mas que, no ato da iluminação, é percebida como idêntico ao Si Mesmo. É diferente do Deus judeu e cristão.

 

POSTURAS OU ÂSANA (leia se ássana) significa lit. “assento”

São os trabalhos com o corpo. Para Patanjali, a postura consiste essencialmente na imobilidade do corpo. A multiplicação do número de posturas com finalidades terapêuticas pertence a uma fase posterior da história do Yoga. A postura deve ser estável e confortável. Os movimentos com os membros e com o corpo mudam o estado de espírito facilitando o esforço de concentração da mente. Com a prática as pessoas podem descobrir os efeitos das diversas posturas sobre o humor.

Junto com as posturas aplicam -se os selos ou mudrâ que tem efeito mais intenso sobre o sistema endócrino.

 

CONTROLE DA RESPIRAÇÃO (Pranayamas = lit. extensão do prana ou energia vital)

Há uma ligação íntima entre a força vital, a respiração e a mente.  Pode ser estimulada e dirigida para os centros energéticos do cérebro. A medida que se domina a prática vai produzindo experiências cada vez mais sutis.

 

RECOLHIMENTO DOS SENTIDOS

A prática conjunta da postura e do controle da respiração produz uma dessenbilização progressiva que termina por fechar os sentidos aos estímulos exteriores.  A consciência fica efetivamente isolada do ambiente.

 

CONCENTRAÇÃO

É o direcionamento da atenção para um determinado suporte ou foco. Segurar a atenção concentrada de forma unidirecional. É uma experiência que toma o corpo inteiro sem impor tensão alguma. Essa prática de concentração é difícil.  É um estado que requer muita energia. Começar o caminho e seguir adiante.

 

MEDITAÇÃO

A concentração prolongada e cada vez mais profunda conduz naturalmente ao estado de absorção na meditação. A “unifluidez” é o processo que está por traz da meditação. Todas as ideias que surgem giram em torno do objeto de concentração e são acompanhadas por uma disposição emocional calma e pacífica. Sente se a impressão de estar ainda mais desperto. “ A meditação é um método pelo qual a pessoa se concentra cada vez mais em cada vez menos coisas. O objetivo é “focar em um ponto” e manter o estado de alerta. O objetivo é o de interromper o fluxo de atividade mental ordinária.

 

ÊXTASE

É a última fase do processo quando todos os turbilhões e flutuações são controlados, contidos e absorvidos. A desconstrução ou unificação da mente leva ao êxtase.

A LIBERTAÇÃO – ser liberto, desapegado, iluminado…

 Tipos ou variedades de práticas do Yoga. O Tantra Yoga deu origem ao Hatha Yoga e ao Kundalini Yoga.

 Raja Yoga – O Yoga Resplandecente dos Reis dos Espíritos
Hatha Yoga – O cultivo do corpo de diamante
Kundalini Yoga – yoga da consciência
Jnâna Yoga – A visão do Olho da Sabedoria
Bhakti Yoga – O Poder Transcendental do Amor
Karma Yoga – Liberdade de ação
Mantra Yoga – O som como veículo de transcendência
Laya Yoga – A dissolução do Universo
Yoga Integral – Uma síntese moderna

Fontes: Livros “A tradição do Yoga – História, literatura, filosofia e práticas “ . Autor:  Georg Feuertenin.
Livros e guias escritos por Yogi Bhajan – propagador no ocidente da  Prática de Kundalini Yoga.
Escola – Kundalini Reserch Institute = KRI – The Aquarian Teacher – O professor Aquariano
3 HO brasil.  ( Healthy = saudável, Happy = feliz, Holy = santo)

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